Agora refletiremos sobre a vida eterna. A vida eterna não tem fim. Não dura mil ou um milhão de anos; dura para sempre. Mas isso não é tudo. Não só não tem fim, mas é uma vida na felicidade e na alegria, uma vida que supera toda imaginação. Se reunissem toda a felicidade que sentiram durante toda a vida e toda a felicidade de todas as pessoas que jamais viveram sobre a terra e a comparassem com a felicidade no céu, seria como uma gota no oceano. A Palavra de Deus diz: “Coisas que olhos não viram nem ouvidos ouviram são as que Deus preparou para os que o amam.” Bem: porém não sabemos nem o dia nem a hora. Que loucura não cuidar de nossa alma imortal! “Meu Deus! Se eu morresse hoje, onde estaria?” “Bem, espero que não no inferno porque Te recebi. Creio que seria salvo. Mas iria para o céu? Ou teria de sofrer no purgatório por minha indiferença, minha inveja, minha suscetibilidade…? Oh! Portanto, devemos aceitar o sofrimento, a humilhação… com alegria como nosso purgatório na terra: ‘Obrigado, Senhor!’” E se começa a dar graças no sofrimento…

Não me refiro a dar graças porque algo mau lhe aconteceu, mas, por exemplo, porque você quebrou o braço ou furou o pneu, e começa a reclamar. Talvez se você não sofresse um pneu furado teria um acidente e se tornaria inválido, ou mataria, por exemplo, outras duas pessoas e ficaria aleijado… E se você começa a dar graças em meio a um pequeno problema, Deus ilumina sua inteligência. “Senhor, dou-Te graças por esta situação.” Não sabemos agora por que é assim, mas um dia, na eternidade, entenderemos tudo. Deus permite essas situações, mas sabem por quê? O diabo exige que lhe seja permitido lançar sobre nós doenças, aflições, desgraças… Esse é o trabalho dele. Mas por quê? Tem o direito de fazê-lo. Por causa de nossos pecados. Por causa de nossa incredulidade. Nem sequer somos conscientes desses pecados. Por causa de nosso orgulho. Quantas vezes nossa má conduta fere nossos amigos ou nossos pais…! E ainda não somos conscientes disso. Não queremos lhes fazer mal. Queremos fazer o bem. Mas o mal faz parte de nós. Temos de ser purificados do mal que há em nós para que possamos ser transformados em Cristo, para que possamos ser realmente sábios e não apenas bons sujeitos; para que possamos defender os verdadeiros valores, para que tenhamos um coração cheio de amor, para que possamos amar a Deus seriamente. Porque, como diz a Escritura, o amor cobre uma multidão de pecados, isto é, o amor a Deus, Ágape, que está crucificado. Esse amor implica sacrifício, não a manipulação dos outros. Jesus é nosso modelo. Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores para nos salvar. E Ele quer que o sigamos e que estejamos dispostos até mesmo a dar a vida por nossos irmãos. Esse amor puro ama até os inimigos. Mas cuidado! Amo meus inimigos, e há muitos deles porque eu prego o Evangelho. Eles me odeiam por isso, mas eu os amo. No entanto, é necessário fazê-los provar o sabor do chicote. Porque os amo. Se um filho faz travessuras, o pai lhe dá uma surra porque o ama. Ele quer que se torne um bom homem. Ele não quer que se misture com más companhias. Portanto lhe dá uma surra. Algumas crianças não precisam de surra: basta repreendê-las: “Você agiu mal! Nem sequer posso olhar para você. Sua conduta me entristece muito.” E isso tem melhor efeito na criança do que a surra. No entanto, algumas crianças precisam provar o chicote. Cada criança é diferente. E o pai tem de criar seus filhos com sabedoria. Porque ele ama seus filhos. E Deus também nos ama. E se amamos os outros… Eu rezo por meus inimigos: “Senhor, amo até os maiores inimigos da Igreja; quero que se convertam e se salvem. Não quero que vão para o inferno. Não. Porque os amo.” Deveria amar o meu próximo como a mim mesmo. Se eu mesmo me desviasse do caminho, desejaria que Deus me castigasse para que eu não fosse para o inferno. E desejo o mesmo aos meus inimigos. Amo a mim mesmo da forma correta: quero ser salvo a qualquer custo. E amo também os meus inimigos. Não quero que nenhum deles seja condenado. Isso é amor puro. O amor não significa que eu tolere o pecado deles. O amor puro nasce da relação com Deus. Esse amor foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, como diz a Escritura.

 

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